Não sei o que fazer. Volto. Não volto. Faço. Não faço. Angustia. E angustia verte-se em lágrimas silenciosas e ofegantes. Caminho. Ah, isso caminho. Para frente, para trás, em círculos. Falo. Não falo. Grito. Sim, sim, isso sim! Grito. Com tudo. Com todos. Não perdoo ninguém. Não têm culpa coitados. Mas eu também não tenho. Abro a porta, vejo o céu cinzento, o vento irónico e as flores murchas caídas no chão. Berro. Não há eco. Só o vento na minha face gélida. Nada. Não sinto nada. Berro novamente mais alto. Nada. Vou a varanda, olho, olho bem lá para baixo. Penso na sensação de liberdade que seria dar um passo em frente. Penso nos segundos que demoraria a desfazer-me no chão. Penso no padrão de sangue que se formaria em torno do meu cadáver deformado. Penso. Penso nisso mas recuo. Dois passos atrás e o janelão impede-me de recuar mais. Paro. Reparo. Reparo que continuo ofegante. Tento acalmar a minha respiração. Não consigo. Dou duas voltas ao jardim e volto para casa onde me espera um almoço feito pela Amélia.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
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