Acordei. Acordei mais frágil que o costume. Senti as amarras que me prendem a cama e não me deixam fazer nada. Respirei. Vieram-me acordar. Disse o típico "já vou". Não vou nada. Vou ficar aqui. Quieto parado. Sem me conseguir mexer. Apenas a respirar. À espera do fim. A castigar-me de não fazer nada não fazendo nada. O vortex dos fracos. Dos frágeis. O tempo desperdiçado nesta apatia é absurdo, é inegável. Mas é mais forte que eu. Vence-me tantas vezes. Sinto-me o eterno insatisfeito. Penso um pouco na forma carinhosa e quase irónica com quando me dizem que sou "sensível", "muito inteligente", dos que "pensam muito". Depois paro de pensar. Perco a noção do tempo em que fico neste estado impacientemente calmo. Ouço apenas a minha respiração ligeiramente acelerada e ligeiro zumbido do silêncio. Por volta das 11h45m da manhã dou um salto repentino da cama. Olho para a janela vejo tempo cinzento e chamar a chuva. Pressinto-a. Calções. Meias. T-shirt. Fato impermeável de correr. Sapatilhas. Ipod. Phones nos ouvidos. Preciso de algo calmo e relaxante. Já está. Saio pela porta da frente, ponho os pés fora de casa. Sinto ar fresco na cara entre os pelos da minha barba descuidada. Subo calmamente a calçada em direcção ao parque. Cruzo-me com a minha gata cinzenta tigre de olhos azuis que se espreguiça ao passar por mim. Parece feliz. Abro o portão verde. Passo para o outro lado onde vejo tombado o poste eléctricos das últimas tempestades que se tem abatido sobre o país. Penso na ironia da situação relativamente a mim. Esboço um leve sorriso e continuo a subir. Começo a correr mal chego ao topo. Sinto-me bem. Sinto-me leve. A música ajuda. Já à muito que não faço exercício depois de tudo o que se passou pelo que rapidamente me canso. Cerca de 20 minutos a correr em ritmo lento julgar pelo número de músicas que ouvi. Parei ao lado da capela com vista para ao lago. Mas isso nem é importante. O importante é que reparei numa música que já tinha ouvido uma boa dezena de vezes e reparei num pormenor fantástico que naquele momento que se revelou um de equilíbrio perfeito. O momento guardo-o para mim. Desço calmamente em direcção a casa onde me esperam para almoçar.
terça-feira, 9 de março de 2010
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