Estou doente demente sem dente tremente delinquente. Abano a cabeça em gestos macios e aleatórios como se não conseguisse segura-la. Choro. As lágrimas escorrem-me pelo rosto mais uma vez. Incontrolável. A dor é atroz. Doí. Doí tanto. Não sei o quê mas doí-me. Sinto-me a ficar louco. Já me perguntaram se saberia distinguir esta dor da dor da perda da minha Mãe por exemplo. A verdade? A verdade é não. Desculpa Mãe. Desculpa Pai. Desculpem-me todos os que me têm ajudado a quem estas palavras magoam mas sinto-me morto por dentro, vazio, sem objectivos, sem planos, sem nada. Sou um zero. Eu e a minha solidão. Eu e o meu vazio.
No chão a minha colecção de calendários enoja-me, tentei organiza-la, mas nem lhe consigo tocar. Tudo espalhado. Um espelho do que é a minha cabeça. É o caos. O fracasso. Não termina nunca. Nunca termina nunca. Sinto-me um morto vivo e escrevo em desespero. Tenho os neurónios amarfanhados por pensamentos pasmados. Sou neurótico. Não qual é o meu problema mas não consigo fazer nada em condições, sinto-me perdido. Sou um medricas, admito-o. Sinto-me a morrer aos pedaços, isto dilacera-me a alma aos poucos.
Tenho de tentar algo novo, tenho de me reinventar depressa, antes que a morte me reinvente a mim.
1 comentário:
Adorei este início "Estou doente demente sem dente tremente delinquente."
Acho que não estás nada disto, nem que alguma vez tiveste. Há quem diga que os adolescentes passam pela fase da estupidez em que tudo contestam. Se calhar, como eu, a tua fase da adolescência, da estupidez, da duvida sobre o que fazemos aqui e qual o motivo. De termos um emprego, de sairmos para jantar, para beber um copo e de continuarmos a beber.
e às vezes estas respostas só encontramos no fundo do poço, que é o nosso ser inquieto e cheio de dúvidas.
Tristezas à parte, adorei ter o meu menino estes dias em Lisboa, estes dias que faz um ano que vivemos juntos e que ano tão feliz. Volta sempre e para sempre
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