sexta-feira, 19 de março de 2010

Praia


Joaquim veio da praia com um ar sereno. Veio de certa forma transformado. A sua alma vinha em paz. Joaquim sabe bem onde é feliz. É na praia, na areia, nas dunas, nas praias desertas, nos imprevisíveis primeiros banhos primaveris de boxers, nos sítios que poucos conhecem a sua existência. É ai, no ronronar das ondas a enrolar na areia, no cheiro a maresia e no som das gaivotas sobre as traineiras que encontra a serenidade. Os olhos de Joaquim tornam-se brilhantes, reluzentes e é como se Joaquim tivesse encontrado de novo o seu brinquedo de criança.

Eu tive um vislumbre deste Joaquim ontem, mas a verdade é que ele anda à deriva numa jangada feita de paus de melancolia, mastro de tristeza e rodeado um oceano de pesadelos numa noite de tempestade onde chovem lágrimas de dor. 

E hoje ele já mal consegue sorrir…

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